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Capítulo 31: Do diário de Yael-Khalisi: 🔥🔥🔥 !!!DRACARYS@

15 de nov. de 2025
4 min de leitura

Estou cansado. Estou simplesmente cansado.


Estou sentada na cadeira de ferro (bem, uma cadeira de palha confortável, daquelas que se encontra em quase todas as varandas de Tel Aviv) olhando para o meu celular. Sem internet. De novo. Sem Tinder. Sem Instagram. Nem sequer tem alguém para responder "Desejo-te expiação" à minha nova selfie com um dragãozinho. Que é isto? A Idade Média? Deus me livre.


Lá fora, a música de sempre. Um alarme. A melodia mais familiar neste reino desde o toque de celular de Game of Thrones. E aí? Outro míssil? Ah, qual é, sua mãe. Foi por isso que eu fiz tranças?


"Escute com atenção, Drogon", eu disse a ele, enquanto ele tentava engolir um corvo. "Não funciona assim. Esta realidade é tão entediante. Não aguento mais. Preciso de ação. Preciso de um espetáculo."


Levantei, vesti minha capa (um cobertor de TV com a frase "O Senhor dos Anéis" 🤣) e subi nele. No Drogon. Meu melhor amigo. Pelo menos ele não me pede "permissão para conectar" a cada cinco minutos.


Partimos.


Para além das chamas e do drama, há o momento em que Drogon bate as asas com força e nos afastamos do asfalto de Tel Aviv. Nesse instante, a anciã Yael desaparece. Em seu lugar surge Yael-Khaleesi, também conhecida


Vista do alto do dragão, esta cidade parece um tapete de luzes e pessoas correndo para lugar nenhum. Até as ruas parecem menos congestionadas daqui. Caramba, como é linda.


"Olha só isso", sussurrei no ouvido de Drogon enquanto cortávamos o ar acima de Dizengoff. Abaixo de nós, a cidade parecia um pequeno tabuleiro de jogo. "Aqui está o restaurante onde o cara com a barba bem cuidada me explicou, entre mordidas de tártaro e goles de vinho, que ele 'simplesmente não nasceu para compromisso'. E aqui está o bar onde o cara insistiu que só queria 'se fundir' comigo, como se fôssemos duas gotas de chuva e não duas pessoas com desejos diferentes. Drogon, meu caro, você se sente como se quisesse lançar uma longa língua de fogo neles? Não algo que vá destruir a cidade, apenas uma leve e precisa queimadura que deixe marcas de chamuscamento em seus egos e os lembre de que não vale a pena mexer com Yael-Khaleesi. Dê a eles alguns 'drakaris'. Não precisa incendiar o clube, apenas derreta suas desculpas esfarrapadas."


Ao longe, outra interceptação do Domo de Ferro. Fogos de artifício de pobre. "É assim que você tenta me assustar?" Eu ri.


Nos aproximamos da Torre Azrieli. Parecia os genitais de um gigante que alguém tinha tentado redesenhar.


“Certo, Drogon”, eu disse, sentindo meu sangue ferver. “Mostre a eles.” Respirei fundo. Muito fundo. Daquele tipo reservado apenas para alguém que assistiu às oito temporadas de Game of Thrones e ainda está furioso com o final. Gritei a única palavra que resolve tudo no Oriente Médio:


🔥🔥🔥"DRACARYS!"🔥🔥🔥


Pelo menos desta vez, quando o céu ficou laranja, não foi por causa de uma interceptação do sistema. Foi porque alguém só precisava passar o tempo.


O fogo surgiu, forte, quente e com um brilho predominantemente rosa-arroxeado. Porque se você vai queimar, que seja com estilo.


Esse poder... é incomparável.

Não se trata do poder ilusório de "curtidas" ou de um comentário espirituoso em um aplicativo que já foi desativado. Este é um poder bruto, ancestral. Quando o monto, sinto cada músculo de suas costas se movendo sob mim, e cada batida de seu coração ecoando pelo meu corpo. O vento sopra em meu rosto, dissipando os resquícios de cansaço, e eu me sinto invencível.


Lá em cima, acima das Torres Yu, não preciso da aprovação de nenhum homem ou governo. Eu sou a lei, eu sou o fogo e eu sou o soberano do espaço aéreo entre Jaffa e Herzliya. É uma emoção que faz toda a adrenalina dos alarmes parecer brincadeira de criança.


Mas aí, bem na hora em que eu estava planejando dar uma volta triunfal pela Praça Estadual, Drogon emite um som que parece mais o bocejo de um gatinho do que o rugido de um monstro.


Ele começa a perder altitude. Não num mergulho heroico, mas com a energia de alguém voltando do turno da noite no porto.


Tento encorajá-lo, sussurrando para ele: "Drogon, meu querido, só mais uma volta no palco", mas o cara já estava acabado.

Descobri que não fui o único que não conseguiu dormir ontem à noite por causa das explosões e dos pensamentos. Meu dragão também sofre de distúrbios do sono. Ele passou a noite inteira travando batalhas contra drones imaginários na cabeça e agora só quer um canto escuro e um travesseiro.


Aterrissamos no jardim comunitário com um pouso desajeitado, quase passando por cima da barreira de estacionamento. Drogon simplesmente desaba na grama, solta uma pequena nuvem de fumaça pelas narinas que parece um suspiro de desespero e adormece antes mesmo que eu consiga descer de suas costas.


E eu? Estou ali parada, com minha capa luxuosa e tranças que se soltaram um pouco com o vento, olhando para ele.


A decepção corta a euforia como uma faca de chef. Há um instante eu era a rainha dos dragões, queimando mísseis iranianos e dançando com as nuvens, e agora sou uma cabra novamente, em um jardim coberto de fuligem, com um dragão roncando que não se mexe um milímetro.



Olhei para a calçada. Um vizinho tinha acabado de sair com o cachorro, olhou para o dragão adormecido, olhou para mim e murmurou: Yael, você não recolheu as fezes dele de novo? 💩


Respirei fundo. Khaleesi pode controlar o fogo, mas agora Yael precisa dar um jeito de transportar três toneladas de escamas desgastadas até o MMD.


Talvez eu não tenha Tinder, mas pelo menos tenho um dragão que ocupa duas vagas de estacionamento no Tabu. Vamos ver o inspetor da cidade abordá-lo com um Drakaris no barril.


Se você olhar para cima de vez em quando, poderá me ver navegando pelos seus céus. 🐲


Capítulo 31: Do diário de Yael-Khalisi: 🔥🔥🔥 !!!DRACARYS@
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