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Capítulo 16: Do Mossad com carinho: O agente secreto com licença para desaparecer

  • 3 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 3 de fev.

No mundo do Tinder, um em cada dois homens é um "CEO", um em cada três é um "empreendedor nato" e todos os outros são "amantes da vida".


Mas aí chegou o D.


Sem foto (apenas a silhueta de uma pessoa de costas na praia ao pôr do sol, um clássico para divorciados), sem nome completo e sem profissão. A descrição dizia apenas:


Meu instinto me disse: Deslize para a esquerda, Yael. Deve ser algum mensageiro do Walt com vergonha do uniforme. Mas a curiosidade... ah, a curiosidade. Ela matou o gato e está prestes a matar minha noite.


Fase de Coordenação: Operação Entebbe


Marcar um encontro com ele era mais complicado do que conseguir uma consulta para uma ressonância magnética.


"Onde vamos nos encontrar?", perguntei inocentemente. "Te mando uma foto uma hora antes", respondeu ele. "Foto? Vamos fazer um passeio de jipe? Só tomar café em Tel Aviv." "Não posso arriscar. Tem lugares que me dão arrepios." No fim, recebi uma mensagem criptografada (no WhatsApp, né? Não no Telegram): "Um café na parte antiga do norte. Mesa de canto. Vou estar de camisa azul-clara e gravata."


O Encontro: O Homem Que Sabia Demais (e Não Disse Nada)


Cheguei. Ele estava sentado lá, de costas para a parede e de frente para a porta. Uma tática bem conhecida de quem saiu da instituição ou de quem tem medo da ex-esposa. Parecia razoável. Cinquenta tons de grisalho no cabelo, óculos escuros (num café, à noite) e a expressão de quem carrega o peso do mundo, ou pelo menos o peso da hipoteca, nos ombros.


"Então..." comecei, tentando quebrar o gelo seco. "O que você faz que é um segredo de estado?" Ele esboçou um sorriso fino e enigmático. "Coisas que acontecem nas sombras." "Ah, entendi. Você verifica encanamentos?" Ele não riu. "É complicado. Digamos assim, eu me certifico de que você possa dormir em paz à noite." "Eu durmo em paz principalmente quando o ar-condicionado está ligado e os vizinhos não estão fazendo karaokê. Você conserta ar-condicionado?"


E assim começou o grande jogo de adivinhação. Durante uma hora, em vez de conversarmos, jogamos a versão do Shin Bet de "Quem Quer Ser um Milionário?". Eu dava algumas opções e ele apenas balançava a cabeça grisalha:

  • "Você é um dos desenvolvedores do Domo de Ferro?" (sorriso misterioso).

  • "Você é o segurança da Bibi?" (toma um gole dramático de café).

  • "Você é responsável pelo reator em Dimona?" (com uma sobrancelha arqueada).

  • "É você quem decide quando aumentar os preços dos combustíveis?" (silêncio ensurdecedor).


O interrogatório


Em certo momento, ele se cansou de ser o alvo e inverteu os papéis. Mas não foi um "E você, Yael? O que gosta de fazer?". Não. Foi um interrogatório de segurança de nível 5. "Conte-me sobre seus planos", exigiu ele, seus olhos me examinando como se estivesse procurando um dispositivo de escuta. "Você tem contatos no exterior? Um passaporte estrangeiro? Com que frequência você viaja para a Turquia?"


Tentei falar com ele sobre o blog, sobre a vida, sobre o fato de que eu estava procurando amor e não um cúmplice para um crime. "Interessante", ele me interrompeu quando mencionei minha filha. "Em que unidade ela serviu? Ela tem acesso a bancos de dados confidenciais hoje em dia?" "Ela é designer gráfica", respondi secamente. "A coisa mais secreta da vida dela é a senha do pijama, e ela provavelmente não daria para ninguém, nem sob tortura."

Ele assentiu seriamente e fez uma anotação imaginária em sua mente (provavelmente na seção "Possível falsificação de documentos"). Senti que, se eu pedisse um croissant de amêndoas agora, isso entraria no meu dossiê pessoal na categoria "Hábitos de consumo suspeitos".


O desvanecimento


Então, bem na hora em que eu estava tentando adivinhar se ele era um agente duplo ou se estava apenas assistindo muito Netflix, o celular dele vibrou. Ele olhou para a tela, com o rosto ainda mais sério. "Recebi uma ligação. A situação está ficando tensa", sussurrou. "Meu café está esfriando", observei. "Preciso ir. O país está me chamando."


Ele se levantou, colocou uma nota de 50 shekels na mesa (sem pedir troco, porque agentes secretos não esperam por troco), colocou os óculos de sol de volta e desapareceu na noite úmida de Tel Aviv.


Fiquei lá sozinha, com metade da cabeça virada e um mistério sem solução. Será que namorei o James Bond israelense? Será que conheci o próximo chefe do Mossad? Ou talvez, só talvez, tenha namorado um fiscal da Receita Federal que simplesmente adora um drama?


Nunca saberemos. O caso foi arquivado por falta de interesse público (meu).


Próximo


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Do Mossad com carinho: O agente secreto com licença para desaparecer

 
 
 

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